«É possível renovar o título»

Entrevista exclusiva com Herlander Silva, treinador da equipa senior feminina do Alavarium.

Ter aceite ser treinador do tri-campeão nacional não é assumir uma responsabilidade acrescida?

Numa primeira fase eu assumi apenas o papel de Diretor Desportivo e só posteriormente, quando se precipitou a saída do meu antecessor, é que assumi o papel de treinador das seniores. É sem dúvida uma responsabilidade enorme mas também uma honra. Tenho plena consciência que ao treinar o actual campeão nacional me pedem a renovação do título, apesar de estarmos todos conscientes que (felizmente) a retoma económica fez com que houvesse equipas a apostar como não se via desde os tempos do profissionalismo no andebol feminino e que o Alavarium/Love Tiles não tem essa capacidade, nem financeira nem estrutural.

Como está a correr este ano o campeonato? É possível o tetra?

A primeira fase está perto do fim e depois começam os Play Off que é uma competição completamente diferente, deixa-se de premiar a regularidade e passa-se a premiar momentos… o que também é sinónimo de emoção e espectacularidade. Estamos neste momento em terceiro lugar mas dependemos de nós para chegar ao segundo e lutaremos até à ultima jornada desta fase regular para o conseguir. Renovar o título é possível e é para isso que estamos a trabalhar. Na minha opinião há 4 equipas que estão na luta direta pelo título: Alavarium/Love Tiles, Madeira Sad, Colégio de Gaia e Colégio João de Barros. Se olharmos para a tabela classificativa o fosso entre estas e as restantes é grande e qualquer uma delas pode chegar ao título, mas espero que sejamos nós.

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Que balanço da participação europeia do Alavarium/Love Tiles este ano?

Faço um balanço extremamente positivo. Para quem não está dentro dos formatos passo a explicar: a competição maior é a EHF Campions League a EHF Cup ( que é uma espécie da antiga Taça das Taças no futebol) é a segunda mais forte e por fim temos a Challenge Cup que é onde estão as equipas mais acessíveis. Quisemos dar a máxima experiência às nossas jogadoras e, como não foi possível estar na Champions League (não temos capacidade financeira sequer para cobrir a taxa de inscrição) optamos por entrar na EHF Cup e mais, receber em casa o nosso primeiro adversário. Trouxemos a Aveiro as competições europeias femininas (a última vez tinha sido há 24 anos) e conseguimos o feito histórico de passar pela primeira vez uma eliminatória (frente ás Bósnias do Ilidza). Depois defrontamos as Húngaras do SIOFOK que por ano têm um orçamento que pagaria 50 anos do Alavarium/Love Tiles…. E os argumentos são outros, com jogadoras de várias nacionalidades, completamente profissionais e com um ritmo alucinante. Conseguimos dar réplica na primeira parte de ambos os jogos mas temos que reconhecer que era uma tarefa práticamente impossível.

Como analisas o estado do andebol feminino em Portugal?

Penso que com o investimento que há se faz um trabalho notável. Os treinadores na formação são verdadeiros heróis (e aqui agradeço à Soraia Domingues, ao Edgar São Bento, ao António Cardoso, à Filipa Fontes, ao Juan Marques e ao Zé Rui) já que com os parcos recursos que têm (tempo e espaço de treino) conseguem alimentar as nossas selecções nacionais com jogadoras que lá fora são, por norma, do TOP 5 europeu. Com o avançar da idade essa falta de recursos nota-se e vamos ficando para trás até que nas seniores já estamos a anos luz do topo. A Federação tem que investir mais dinheiro e recursos no feminino, o estado tem que apoiar mais o desporto feminino, a nossa câmara tem que apoiar mais o desporto feminino, e as nossas escolas têm que apoiar mais o desporto feminino… se esta pirâmide trabalhar em consonância vamos deixar de ser o país do “quase que consegue ir a fases finais”, para o país que nos orgulha com excelentes representações internacionais.

Alguma mensagem para os adeptos do ALA?

Agradecimento. São incríveis e incansáveis. Se jogamos em casa temos o pavilhão cheio, se jogamos no Algarve temos adeptos, quando fomos à Hungria tínhamos adeptos… É uma sensação muito boa quando nos apoiam mesmo quando os resultados não são bons, mesmo quando as exibições não são as melhores. Aqui lhes deixo a promessa de que deixaremos tudo em campo para vos dar mais uma alegria e que, juntos vamos fazer este clube crescer ainda mais.