«O Esgueira está bem vivo, dinâmico e credível»

Jorge Caetano, presidente da Direção do CP Esgueira, em entrevista exclusiva ao DesportoAveiro.

Quando decidiu «pegar» no clube, afirmou que o objectivo passava por recolocá-lo no lugar ocupado no passado. Essa recuperação tem vindo a ser conseguida?

Quando decidi em conjunto com um grupo alargado de pessoas participar mais ativamente na vida do clube e formar uma lista candidata aos órgãos sociais do clube, definimos uma visão para o clube: “Clube atractivo e competente”. Esta visão dá corpo a uma estratégia que tem evoluído ao longo do tempo de modo a constantemente desafiarmos o presente e o futuro. O clube neste momento está bem vivo, muito dinâmico a todos os níveis, credível, organizado e cada vez mais atractivo. Tentando ser mais objectivo na resposta à pergunta, considero que o passado e a história do clube deve ser sempre referência mas os contextos são diferentes e por isso as comparações não são um exercício fácil nem considero que sejam importantes. Achamos que o clube está melhor do que quando começámos e no caminho certo para melhorar mais ainda. Este é um trabalho que envolveu e envolve muitas pessoas, elementos dos órgãos sociais, treinadores, atletas e suas famílias, seccionistas, colaboradores nas mais diversas áreas, sócios, patrocinadores sem os quais este projecto não seria possível assim como as entidades da freguesia de Esgueira e da cidade de Aveiro. A todos os que contribuíram e contribuem para este projecto o clube está muito agradecido.

Ainda que a época não tenha terminado, que balanço faz da forma como a mesma está a decorrer?

A época está a decorrer dentro das expectativas traçadas. Nas várias áreas de atuação, tentamos que tudo decorra dentro do planeado, mas existem sempre riscos, alguns identificados, que se tentam minimizar, mas que por vezes acabam por ter um peso superior ao que desejaríamos. Em termos desportivos, no que respeita à nossa equipa principal, os seniores masculinos, dadas as alterações verificadas, quer a nível interno quer ao nível do modelo da competição em que estamos envolvidos, sabíamos do equilíbrio que iria existir o que por si só obrigava a alargar o intervalo de resultados possíveis a atingir. Gostaríamos de ter ficado no grupo A e por muito pouco não o conseguimos, mas estamos neste momento a disputar o grupo B com muita ambição e a entrega de sempre para garantir a permanência nesta competição. Este grupo de trabalho em particular merece muito atingir esse objectivo, mas também os adeptos do Esgueira e amantes do basquete da cidade de Aveiro que são muitos, também o merecem. Estamos todos em sintonia para o conseguir. A equipa sénior feminina e a equipa sénior masculina B, e a forma como foram pensadas e organizadas são projectos para o futuro e as competições onde estão a competir proporcionam a vivência desportiva que os atletas e as atletas mais jovens necessitam para evoluir, com o apoio dos e das atletas mais experientes.

Na formação o grande objectivo passa por fazer evoluir os atletas, trabalhando mais e melhor e tentando que as equipas se classificassem para as fases que definem o acesso aos campeonatos nacionais e fases finais distritais, para assim poderem competir com os melhores e isso foi maioritariamente conseguido. Nessas fases tivemos mais dificuldades, mas só se evolui junto dos melhores tendo consciência que isso implica fazer uma gestão correta das expectativas e dos objectivos. Nas infra-estruturas, mudámos a iluminação do pavilhão para tecnologia LED com o objectivo de melhorar a qualidade e diminuir os custos da energia. Na área da comunicação demos passos muito significativos com a melhoria significativa do merchandising, as transmissões dos jogos em livestream, a apresentação do Bikudo e do hino “O Bikudo vai jogar”, que são instrumentos importantes para a dinamização dos nossos jogos, que neste momento são muito mais do que um simples jogo. Ao nível financeiro temos que reconhecer que a dinâmica sendo grande em todas as áreas, faz aumentar a despesa, mas infelizmente não gera receita de forma proporcional o que cria muitas dificuldades na gestão. Nesta vertente temos tido muitas dificuldades. Teremos que ser mais criativos para encontrar o equilíbrio necessário.

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Como é que estão hoje as relações entre o CPE e a Câmara de Aveiro?

As relações com todas as entidades com que nos relacionamos, CMA, Junta de Freguesia de Esgueira, Federação Portuguesa de Basquetebol, Associação de Basquetebol de Aveiro, Agrupamento de Escolas de Esgueira, todos os clubes e também a imprensa, nomeadamente a regional, são boas. Não concebemos que possa ser de outra forma sem que isso signifique perca de identidade e autonomia para qualquer das partes. Concretamente com a CMA a base de trabalho foi definida em conjunto, os compromissos de cada um estabelecidos e de forma periódica analisados e avaliados. Concretamente e no que toca a apoios financeiros traduzidos por programas de apoio ao desporto, estou convicto que todos gostaríamos que existissem. Nós achamos que esses apoios são essenciais. Vamos aguardar. Temos esperança que possam ser efetivados em breve. Será da mais elementar justiça. As associações necessitam desse apoio e a cidade de Aveiro necessita de associações fortes e dinâmicas.

O CPE já teve as suas duas equipas seniores nos principais campeonatos de Portugal. O objectivo passa por num futuro ter o Esgueira nas Ligas masculinas e femininas?

Como disse antes a história do clube é um grande motivo de orgulho e deve servir de referência. Concretamente acho que esse não deve ser um objectivo declarado. O Esgueira terá as suas equipas onde desportivamente merecerem estar com os recursos que puder ter, de forma sustentada e equilibrada. Deveremos ser ambiciosos mas conscientes do contexto que existe em cada momento. Essas situações a acontecer deverão resultar do trabalho efetuado e de forma natural.

Como está a formação do clube?

A formação do clube está bem. Temos muitos atletas, muito razoáveis condições de trabalho, que melhoraram muito com o facto de se ter passado a utilizar os dois pavilhões do Agrupamento de Escolas de Esgueira, fruto do protocolo existente entre a CMA e o agrupamento de escolas e temos uma equipa de treinadores com grande qualidade. Este ano temos mais e melhores condições para o treino individual, que temos vindo a promover e que tem sido participado. Temos as condições para melhorar e evoluir do ponto de vista desportivo e competitivo. Sabemos e temos consciência que a questão competitiva comporta muitas variáveis e que é muito difícil conseguir que todas contribuam simultaneamente para conseguir resultados desportivos. Mas estes não podem ser um fim em si mesmo. Existem outros objectivos que se procuram atingir com todo o trabalho que diariamente os treinadores e os atletas desenvolvem. Existe também o importante papel que o clube desempenha ao nível social e que quer manter porque essa é a matriz do clube. Uma menção especial para os nossos escalões de Minibasquetebol que têm desenvolvido um trabalho espantoso. É muito bom e gratificante entrar no Pavilhão de Esgueira às quartas-feiras ao final da tarde e aos Sábados de manhã e ver a dinâmica com que todos se empenham neste projecto.

Quer deixar alguma mensagem aos adeptos do Esgueira e aos leitores do DesportoAveiro?

Aos adeptos do Esgueira faço uma apelo para que continuem a estar próximos do clube porque este precisa mesmo muito de todos. “Juntos marcamos pontos!…”. Aos leitores do DesportoAveiro desejo que continuem a seguir esta plataforma de informação desportiva dando-lhe o relevo que ela merece. Ao DesportoAveiro em particular quero agradecer a oportunidade de partilhar através desta entrevista o estado actual do Clube do Povo de Esgueira e a forma como os seus órgãos sociais o perspectivam.