«O Illiabum actual não pertence aos ilhavenses»

Rui Labrincha quebrou o silêncio. O treinador de basquetebol aborda a sua saída do Illiabum e não poupa nas críticas ao clube ilhavense. Pelo meio, fala do basquetebol aveirense, em mais uma entrevista exclusiva DesportoAveiro.

Saiu do Illiabum Clube no início do ano. Quais as causas desta saída?

É uma pergunta para a qual ainda hoje não tenho resposta. Alguém da Direcção do clube achou que eu não era a pessoa certa para trabalhar com jovens, que era um mau exemplo para os miúdos e como tal decidiram que não seria inscrito como treinador! Meses antes, na sequência de alguns desacatos na bancada que levaram ao castigo de vários treinadores do clube, eu, numa reunião entre direcção e treinadores, tinha sido dado como exemplo do que é ser um treinador de formação:  educado, responsável e que respeita todos os intervenientes no jogo! Não sou melhor, nem pior que ninguém, mas sou diferente e muito das pessoas que neste momento dirigem essa instituição! Não me revejo em muitas coisas que se passam no Pavilhão Adriano Nordeste. Ganhar títulos distritais não é tudo, existem outros valores mais importantes, para além daqueles que sabemos e que todos os dias são apregoados. Na minha opinião devemos também formar bons adeptos e isso não acontece!

Saiu zangado com o clube?

Claro que não, é o clube da minha cidade, o clube onde vi o meu pai jogar e treinar, o clube onde fiz parte da minha formação como atleta e cidadão, onde brinquei, onde fiz amigos para a vida. Este é o Illiabum dos ilhavenses, o meu Illiabum! O actual  não pertence aos ilhavenses e como tal não quero fazer parte dele. De Ílhavo tem apenas a sua localização, nada mais!

Fico muito grato pelas manifestações de apoio que tive por parte dos pais dos meus atletas, da incredulidade que quem me conhece demontrou perante tamanha estupidez que foi o meu afastamento, (peço desculpa pela dureza da palavra) e o melhor de tudo, o carinho que tenho recebido dos meus ex-atletas, ou como prefiro chamar-lhes, dos meus amigos!

 

Porque é que diz que o Illiabum actual não é dos ilhavenses?

Recordo isto: nos anos 80 , chegava um americano novo a Ílhavo e o tema de conversa entre as gentes da vila qual era? O jogador novo que vinha, se era bom, se não era! Os treinos da equipa sénior tinham mais gente do que tem agora os jogos! Os jogos da formação, desde os iniciados aos juniores, tinham o pavilhão cheio! Hoje em dia, vê-se isso? Não! Ninguém se identifica com o clube! Não há uma ligação do clube à cidade!

 

 

Que rescaldo faz do trabalho que desenvolveu nos Sub16 e Sub12 do Illiabum Clube, as suas duas ultimas equipas?

Fantástico! O Professor Gouveia é um nome que diz tudo, um senhor que «respira» basket, por aqui começa o que considero ter sido um ano inesquecível! Aprender com o melhor dos melhores foi para mim uma honra e algo que dificilmente voltarei a ter. A aprendizagem foi constante e a exigência sempre muito elevada. Se os resultados contam nos sub16, eles foram bem visíveis, conquistámos o titulo distrital e chegámos à fase final nacional onde disputámos todos os jogos até à ultima bola!

Nos sub12 foi a evolução diária normal, com um grupo que já vinha comigo desde a época passada dos sub10. Com muita responsabilidade e dedicação, brincávamos ao basket, sempre com a mestria do «avô» Carlos Gouveia. Tínhamos um grupo de pais inexcedível. Espero não me enganar mas estes meninos nascidos em 2004 e 2005 vão ser uma grande equipa no futuro! O objectivo principal – gostar de ir ao treino – sempre com um sorriso nos lábios, pois acredito que só sendo felizes naquilo que fazemos podemos ter sucesso!

 

Está neste momento sem clube. É uma situação que quer manter ou equaciona voltar a treinar logo que haja essa possibilidade?

Estar sem clube, não significa que esteja fora da modalidade. Sempre que posso, vou ver os meus amigos jogar, sejam eles meus ex-atletas, meus ex-adversários ou amigos treinadores. Felizmente tenho-os em quase todo o lado! Gostava de passar despercebido, mas infelizmente as bancadas estão vazias e facilmente sou visto, mas no fim sabe sempre bem ser recompensado com um abraço ou um beijinho de um ex ou de uma ex atleta. Estas são as minhas grandes medalhas, as outras nem sei delas… (risos)!

 

Como vê o estado do basquetebol em Aveiro?

«Cresci» com o basket nos anos 80 e na altura, mais de metade das equipas da divisão principal eram do distrito. Que saudades desse tempo! Sair de um pavilhão e ir a correr para outro, era um «corrupio» entre os pavilhões de Ílhavo, Aveiro e muitas vezes Sangalhos e Ovar! Sei que hoje em dia isso é impensável, pelas mais variadíssimas razões, desde o factor económico, à evolução das outras associações! A vitalidade da nossa Associação e a sua força tem sido bem visível nas festas juvenis do basket em Albufeira, onde temos tido constantes presenças nos primeiros lugares, muitas vezes até coroadas com o titulo! De louvar também o trabalho que se faz no mini-basket. Destaco aqui dois nomes de grande excelência pelo trabalho que fazem neste escalão muitas vezes deixado ao acaso, são eles, no Illiabum o Professor Carlos Gouveia e no Beira Mar, o Professor Rui Pedro Nazario. O Galitos é um bom exemplo a seguir pelo trabalho que bem fazendo no mini-basket de há uns anos para cá. Peço desculpa aos outros clubes e treinadores mas estas são as realidades que conheço melhor! Acredito que noutros locais se façam trabalhos de igual qualidade, prova disso é a belíssima festa final do mini-basket que a ABA também organiza no final de cada época. Todo este trabalho se reflecte mais tarde com os atletas aveirenses que temos tido a representar as respectivas selecções nacionais!

 

Para além do basquetebol, gosta de outros desportos?

Sou um grande adepto de futebol, não perco nada da Premier League e um privilegiado por ver Messi e Ronaldo jogar!

 

Já conhecia o DesportoAveiro?

Sim. Não sendo um leitor assíduo, confesso, é uma pagina que costumo visitar pois admiro quem faz dos «hobbies» uma paixão. Li muitas vezes comentários muito desagradáveis ao trabalho do DesportoAveiro, mas esta é a sociedade em que vivemos, a falta de respeito por trás de um «pc» faz-me lembrar aqueles condutores que buzinam e depois fogem sem que ninguém os volte a ver, aqueles adeptos que estão na bancada a insultar tudo e todos sem saberem porquê! -Parabéns pelo trabalho realizado!