Reflexão sobre quadros competitivos do basquetebol nacional

970168_687402601285710_378312495_nA oportunidade de ler os textos divulgados pela Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) no seu sítio, sobre a temática da proposta de alteração dos quadros competitivos, leva-me a desenvolver as seguintes considerações, que são o meu contributo para este tema.

Um quadro competitivo é composto por jogos, visa o desenvolvimento desportivo enquadrado numa lógica global e multidisciplinar e envolve também organizar um jogo de basquetebol. Que é o mesmo que organizar um evento. Como tal, deve ser pensado, planeado, executado e no final avaliado.

O desenvolvimento do evento tem como objetivo atrair pessoas, sendo que se no passado tinha muito de afetivo pelo sentimento de pertença a um clube, hoje, além deste sentimento tem de se ter em consideração a qualidade do evento, do valor do conteúdo da experiência que oferece aos adeptos/fans, se pretendemos que os adeptos/fans se disponham a ir ver o espetáculo desportivo e regressem. Então, temos de ter contribuir para uma experiência única em cada jogo. Facilmente concluímos, pois que o jogo (desde as concentrações de minibasquete á final da LPB) é muito mais do que o simples meter a bola no cesto.

Sem gerar conteúdos que atraiam, retenham e satisfaçam o adepto/fan, qualquer evento, seja de que tipo for, estará certamente destinado ao fracasso.

No que diz respeito à gestão desportiva temos de ter em consideração que qualquer alteração aos quadros competitivos terá de estar de acordo com uma visão estratégica da modalidade e não devem ser alterados simplesmente para se mostrar que se quer mudar.

Compreendo e aceito as preocupações de clubes, associações, direção técnica da FPB, direção da FPB, mas sem dados objetivos que possam ser comprovados será difícil uma tomada de decisões que tenham em conta as respostas às necessidades sentidas pelos diversos agentes da modalidade.

Para além da visão estratégica precisamos de saber:

– Objetivos gerais de uma determinada competição (quadro competitivo);

– Objetivos específicos de uma competição (quadro competitivo);

– Recursos humanos que permitam desenvolver a competição nomeadamente número de atletas;

– Número de atletas;

– Número de jogadores internacionais;

– Qualidade dos atletas;

– Como estão distribuídos pelos clubes;

– Número de treinadores;

– Qualidade dos treinadores;

– Qualificação dos treinadores;

– Número de clubes;

– Localização geográfica dos clubes;

– Relação de árbitros, oficiais de mesa e comissários – ter em conta o número de juízes disponíveis a nível nacional e regional, o custo de cada equipa arbitragem por jogo, a sua implicação no espetáculo desportivo pela qualidade demonstrada ou pela falta dela, que prejuízos pode advir para a formação do jogador;

– Recursos financeiros necessários por parte dos clubes para participar num determinado quadro competitivo;

– Disponibilidade de pavilhões, qualidade das instalações desportivas (quentes/frios), números de horas de treino de cada equipa, condições para a realização de um jogo, condições para o público e para os parceiros/patrocinadores;

– Que público temos? Sabemos quantos espectadores assistem ao evento que é um jogo da LPB? E da Proliga? E da Liga Feminina? E dos campeonatos regionais ou nacionais de formação? E na Festa do Basquetebol? Que basquetebol aspiram os adeptos/fans a ver? Qual é a média de idade dos espectadores dos eventos do basquetebol? E o género? Ouvimos os nossos adeptos/fans? Temos em conta a opinião dos possíveis parceiros?

– Existe um plano de marketing e comunicação de cada competição (quadro competitivo)? Existe um plano de marketing e comunicação da organização (FPB)?

Num mundo tão competitivo, no qual as ofertas de eventos e a luta por parceiros, financeiros ou de outra índole, é enorme, uma das diferenças que a FPB pode ter como organização é a capacidade de inovar aos diversos níveis sendo que os quadros competitivos podem e devem ser uma das áreas de intervenção.

Contudo sem que estes sejam vistos como parte da visão estratégica da direção da FPB podemos não ter em conta que estão a contribuir para quadros competitivos pouco aliciantes, não indo ao encontro das expetativas dos diversos stakeholders, desajustados, e até injustos para os participantes.

Não tenho quaisquer dúvidas que os eventos de índole desportiva fazem parte cada vez mais parte da vida das pessoas, dos adeptos/fans, e dessa forma temos de criar laços emocionais e interagir com os nosso adeptos/fans, mas são igualmente apetecíveis para as marcas que aproveitam para criar laços de afetividade com os adeptos/fans. A questão que se coloca é como tornar um evento de basquetebol e que faz parte de um quadro competitivo, algo de fantástico, com emoção, competitivo e que faça com que o adepto/fan tenha vontade de voltar ao mesmo ao pavilhão. Por isso, antes de proceder a qualquer tipo de alteração precisamos responder às seguintes questões:

– Alterar porquê?

– Alterar para quê?

– Que impacto terá no basquetebol na próxima década?

Coimbra, Fevereiro, 25, 2016

António Pereira