«Esta Direcção (do Beira-Mar) está com uma obra espinhosa pela frente.

Bruno Queirós, um dos adeptos mais fervorosos do SC Beira-Mar na actualidade, concebeu uma das melhores entrevistas que o DesportoAveiro publicou até hoje. 

bruno

Donde surgiu a tua paixão pelo Beira-Mar?

É uma pergunta muito complicada. Considero e acredito que a minha paixão tenha aparecido por culpa própria. Muitas das primeiras memórias de vida que tenho, envolvem o SC Beira-Mar, muito embora estas sejam fragmentadas, dispersas no tempo e difusas. Tenho 21 anos e no dia mais bonito da nossa história, 19 de Maio de 1999, estava a dormir! 🙂

Já fiz essa pergunta a mim mesmo várias vezes, inclusive, já cheguei a escrever sobre a “minha história” na Âncora. Tenho a ideia de ir à bola com o meu tio-avô e tia-avó, de jogar pelo CP Esgueira contra o SC Beira-Mar e sentir que estava a jogar contra parte de mim, lembro-me de ir ver (todos) os jogos da segunda liga ao EMA e ouvir os jogos fora pela Terranova, antes da última subida de divisão, com um amigo (dois anos depois já eramos três e no ano seguinte já eramos mais ou menos 50 amigos).

O clique deu-se quando entrei para os Ultras Auri-Negros, a 18 de Dezembro de 2011. Na primeira vez em que fui ver o Beira-Mar fora, sem os meus familiares e com os meus amigos. Foi a primeira experiência que tive junto dos UAN e foi logo num jogo em Paços de Ferreira, em futebol sénior, estava com sérias e longínquas dificuldades para vencer uma partida. Vencemos por 0-3 e acabámos o jogo em cima do gradeamento da Mata Real com um tremendo espírito natalício, momentos que nunca esquecerei. O meu amor foi crescendo sem parar, passei a viver para o fim-de-semana e passei a vibrar com os jogos e com um clube de uma forma irracional. O prazer dos prazeres, o êxtase.

Cheguei a ir ver oito jogos por fim-de-semana do SC Beira-Mar, sempre a gritar e a bater palmas bem alto. Coloquei o clube acima de tudo e de todos, quando uns escolhiam, literalmente, ser do clube que ganhava… eu escolhi ser do clube da minha cidade, da minha terra! Escolhi ser David, quando outros queriam ser do Golias. Mas infelizmente, o SC Beira-Mar é o meu primeiro clube e é a minha prioridade, eu tenho outro. Sou sócio desde 1997,com lugar anual, do FC Porto.

A Âncora e a Corda estão bem entranhadas no meu peito, na minha alma e na minha flor da pele. Não existe volta a dar!

Foste vice-presidente dos Ultras Auri-Negros. Que balanço é que fazes do período em que exerceste essa função?

Nunca quis ter esse papel. Na minha opinião, exerci essa função na pior altura de sempre do clube e muito por consequência e logicamente do grupo. Tomei a liberdade de sair em Outubro do ano passado, após ter sido feita a transição para o universo distrital, de uma forma muito mas muito geral. Já não sentia motivação e já não me sentia feliz.

Desempenhei funções numa altura em que só existia praticamente um núcleo duro que só contava pelos dedos das mãos mas que ia a TODO, literalmente, a TODO o lado. Fosse em que modalidade, fosse em que escalão fosse.

O grupo de adeptos do SC Beira-Mar melhorou muito em termos de comunicação desde que me foi atribuída tal função e conseguiu numa fase inicial ter outro tipo de organização. Condizente com a verdadeira ascensão da palavra (organização), com reuniões semanais na Casa do Beira-Mar.

Porque deixaste o cargo?

Deixei o cargo por tudo e por nada. Sou bastante inconformado e sempre fui crítico sobre diversas matérias. Fartei-me!

Sempre vi essa brincadeira com seriedade e sentido de responsabilidade. Defendi, e continuo a defender um modelo organizativo moderado condizente com aquilo que considero que seja uma organização. Sei bem que o perfil-tipo do adepto que, frequentemente ou ocasionalmente, se junta ao movimento organizado de adeptos do SC Beira-Mar, não está ciente (ainda) da importância do cumprimento de responsabilidades, do tipo de comportamentos que este tipo de grupo (organização) acarreta.

Tenho uma forma de estar, em jogo, bem particular. Braços abertos e erguidos no ar, peito cheio, voz colocada e cantar/gritar a plenos pulmões. Apoio incondicional. Sempre fui um exemplo do tipo de membros de claque que não são selvagens e estão lá para apoiar, somente apoiar e demonstrar todo o fervor clubístico. A sociedade carimba e atesta qualquer claque como uma coisa que defendo que não seja. Este grupo de adeptos, como qualquer outro, movido pela paixão cega ao clube tem atitudes que em nada beneficia o espetáculo e o clube. Existem muitas injustiças, confusões, problemas que nem sempre são causados ou promovidos pelo grupo. Serão sempre o alvo mais fácil e o último milímetro de corda que reste do pavio.

Não gosto de gente calada, não gosto de mãos nos bolsos, não gosto de ver gente constantemente na conversa, não gosto de ver gente apenas a mexer os lábios, não gosto de ouvir gente a cantar para dentro, não gosto de ver gente constantemente a trocar mensagens no telemóvel, entre outras coisas. Eu colocaria o clube acima de tudo e de todos, não sou o único mas nem toda a gente é doida para pensar a esse ponto.

Tinha que estar em todo o lado, quando podia e quando não podia. Com prejuízo pessoal em diversas áreas, cortei as pontas na sequência de uma grande alteração que dei na minha vida pessoal.

Cansei-me de estar assim no clube e de viver assim o clube. O bichinho ainda existe mas não morde.

Fizeste parte do Mais Beira-Mar, site que se tornou numa referencia do clube na internet. Na tua opinião qual foi a chave do sucesso do Mais Beira-Mar?

Actualidade, actualização, opinião e dedicação.

O Clube/SAD não comunicava, não existia uma estratégia de comunicação. Os motivos informativos, pela degradação do Clube/SAD potenciaram esse “sucesso” aliado fortemente ao estilo de opinião crítico. O Mais Beira-Mar foi “opinion-maker”!

Também não existiam outros espaços na Web, falo dos últimos tempos de site.

Por último, e não menos importante, a dupla prática que formei com o Jorge Henriques.

Mais recentemente aceitaste fazer parte da equipa da Comunicação do clube mas acabaste por sair. Porquê?

Sobretudo por não conseguir dar ao clube, aquilo que queria dar. Por falta de tempo, por falta de disponibilidade física e mental, de capacidade, ou mesmo até por falta de recursos. Não queria voltar a ficar e a continuar preso a uma responsabilidade e o Presidente sabe disso.

Nunca fui um comunicador, nunca quis ser jornalista nem bloguer, ou qualquer outra coisa desse género. Embora possa não parecer.

Já confessei que nunca consegui escrever naturalmente fosse o que fosse para os meios de comunicação do clube. Sentia-me preso nas palavras, com medo de errar, de cometer algum lapso gramático ou sintático. Penso que isso seja sinal e peso da responsabilidade. Tenho algumas dificuldades para agir, neste caso, escrever sobre pressão, quer seja pelo computador, quer pelo telemóvel (na hora).

Não acredito que seja uma mais-valia no que toca a elaborar textos. Sou um “gajo” do marketing e não da comunicação social.

Como disse, nesta entrevista, sou inconformado. A direção do clube e a equipa de comunicação delinearam uma estratégia e uma forma de trabalhar dentro das limitações existentes. Espero que o programa seja respeitado e tenha progressos!

O objetivo era unificar e uniformizar toda a comunicação do clube. Eu estava encarregue de tratar da comunicação de oito modalidades, excluindo o futebol, muito embora o tenha feito por diversas vezes, estando ou não a contar. Inclusive, nos primeiros tempos em que estavam os dois principais obreiros do “fansite” sobre o Beira-Mar na parte prática da equipa, com letra maiúscula.

O que é que era suposto ser feito? Cada secção deveria fazer chegar aos meios de comunicação do clube motivos noticiosos (resultados, agenda, notícias, outros) para que o clube eclético, como um só, tivesse na sua página institucional toda a sua atividade compilada. Antes de ser publicado em qualquer outro sítio.

Fruto da dispersão (do passado, e não só), cada secção criou os seus mecanismos próprios no que toca a comunicar. Cada secção tem uma ou mais páginas na web, principalmente no Facebook. Só depois do Clube publicar é que deveria ser difundido nesses espaços que, na minha opinião (partilhada por muitos) não deveriam de existir com base na pretensão unificadora e uniformizadora.

Nem sempre foi o clube a avançar com fosse o que fosse e isso causou-me várias “revoltas”, tristezas e desânimos no cumprimento das minhas funções. Tentei combater isso com o que podia.

Recebia uma notificação email e não descansava enquanto não visse essa publicação no site do clube. Não conseguia passar o meu dia de trabalho descansado por saber que existia uma publicação para fazer.

Fico lisonjeado por receber elogios e agradecimentos por dar visibilidade às modalidades que não são tão populares como o futebol. Cheguei a receber, após sair, um convite para colaborar diretamente nesta área com uma secção (já desempenhei funções no passado nessa secção.). Claro que fico agradecido por ser reconhecido e por verem em mim, uma pessoa com capacidades para ajudar. Mas como devem compreender não aceitei.

Tenho na minha “Âncora” um espaço livre e descomprometido. Posso fazer o que fazia, no “Mais Beira-Mar” e na comunicação do clube, da forma que me apetecer, quando e se quiser e sobretudo quando me for possível. Por exemplo, faltei ao jogo de basquetebol em Esgueira por estar doente e, por sinal, passado alguns tempos, alguém da comunicação do clube esteve lá e acompanhou essa partida para os meios oficiais.

Deixo uma palavra de apreço e de força, para aqueles que estão na equipa e para aqueles que se juntaram.

Actualmente tens no Facebook a pagina “Ancora do Beira-Mar” que também já é uma referência. Qual é o feedback que tens das pessoas, dos leitores?

A “Âncora” é um espaço no Facebook relativamente recente e que está muito longe, ainda, daquilo que pretendo. Muito por causa destes ziguezagues que já tive e pela escassez de oportunidades que tenho para a desenvolver.

Penso que o feedback é muito positivo. Nunca estive tão perto do público com quem partilho as coisas e sentir essa recetividade dá uma força tremenda para que prossiga. A “Âncora” está a criar uma marca no seio dos beiramarenses, que prima pelo “user-friendly”. Um espaço de congregação, de primazia ao enaltecimento dos grandes feitos que vão acontecendo no nosso eclético clube.

A atividade é essencial, assim como a sua abrangência. Quero que a “Âncora” seja o espaço muito mais do que uma página de Facebook que só partilha publicações.

O resto cabe a cada um dos seguidores, opiniões construtivas serão sempre bem aceites e terei todo o gosto em partilhar opiniões pessoais de outros embora possa discordar parcialmente ou na totalidade do que está escrito.

Como é que classificas o trabalho desta Direção?

Fiz parte da estrutura, por assim dizer, e essa experiência permitiu-me não só conhecer melhor o clube, por dentro, mas vivenciar como funciona uma organização. Se eu tive as dores de cabeça que tive por causa de questões comunicacionais, imagino como se sente um dirigente ou um elemento da Direcção diariamente com várias questões, problemas e cenários, por exemplo. Engane-se quem pense que é fácil ser gestor, é um carrossel diabólico e macabro. Já tive a oportunidade de privar por várias vezes com mais de metade da atual Direção.

O caminho gradual de “refundação” é acompanhado por um enorme e grave prejuízo do passado. Fruto do tempo, do passado recente, do passado longínquo que influencia direta, e indiretamente, o presente e sobretudo o futuro. Claro que todos queremos coisas bonitas, de futuro, para o clube mas temos que estar conscientes das variáveis e das constantes que existem.

Esta Direção está com uma obra espinhosa pela frente. São várias obras, aliás e uma delas é de transição com o fim da atividade laboral da SAD que manchou (ainda mais) a imagem do clube.

Não tenho uma resposta concreta para a pergunta. Podia tentar responder mas como em todo o lado, existem pontos positivos e pontos desfavoráveis.

Muitos sócios criticam a Direcção por não fazer uma Assembleia quase há dois anos. Partilhas a mesma opinião?

E com razão! Fico satisfeito por ver que existe, ainda, uma quantidade reduzida de sócios como eu, que não querem só ver a bola a rolar.

Eu sei o que atrasa a tal Assembleia Geral. As razões já deviam ter sido tornadas públicas. Já dei, como exemplo, as reuniões/sessões de esclarecimento, que a direcção de António Regala teve, de forma, a esclarecer diversas matérias fora do contexto de Assembleia.

Eu escrevi na “Âncora”, no passado dia 1 de Abril, que a Assembleia Geral do SC Beira-Mar está próxima e não era por ser dia das mentiras. Mas para quando? A “culpa” não é da Direcção, é das contas. A culpa é das contas, são as contas que até impedem a conclusão da auditoria e o PER do Clube.

Claro que no meio disto tudo quem sofre é a Direcção e quanto mais tempo isto se arrastar, pior a estabilidade desta fica.

Os sócios também podem marcar uma Assembleia, pecamos porque não tivemos força para o fazer.

Relativamente ao futebol, que balanço é que fazes da participação da equipa sénior na 2ª distrital?

Excelente! Acompanhei, in loco a formação da equipa, e nunca pensei que fossemos conseguir estar no top 5 da tabela classificativa. Pensei que fossemos andar por metade da tabela, confesso.

Mas claro está, o SC Beira-Mar pela sua história é um clube que possui pergaminhos para andar noutros patamares e claro está, subir de divisão. Se terminarmos a temporada da forma em que estamos penso que será uma temporada brilhante, face às dificuldades enormes que são conhecidas e desconhecidas.

É óbvio que quero mais! Mais e mais! O que eu quero é o que todos queremos!

Achas que ainda é possível alcançar a subida de divisão?

É uma missão cada vez mais complicada. Não dependemos de nós, dependemos dos outros (e dos outros!). Mas mal estava eu, se não acreditasse na subida de divisão, fosse em que percentagem fosse. Não passo de um treinador de bancada e é certo que a margem de erro esgotou-se. Estamos a fazer uma temporada acima das minhas expetativas iniciais.

«O Águeda é favorito»

Prognósticos para a final da Taça Distrital entre o Recreio de Águeda e o Beira-Mar?

Costumo pedir prognósticos semanalmente na “Âncora” mas não sou fã de prognósticos. Sei e já comprovei que a interacção neste tipo de publicações é grande.

Prognósticos só no fim do jogo. As contas fazemse no final. O SC Beira-Mar, da segunda divisão, chegou à final! Que grande feito!

Imaginem se fosse um clube da Segunda Divisão Nacional, agora Liga LedmanPro, a chegar ao Jamor. Lindíssimo!

Quero deixar esta mensagem bem clara. O Recreio também é um histórico, gostava que tivessem subido de divisão (para a CNS/Prio) na secretaria por “infortúnio” do meu SC Beira-Mar.

Será que vamos ter AFA Tv, Beira-Mar Tv e Recreio Tv na final? Vejam bem, o modernismo desta distrital!

Se acreditava que o SC Beira-Mar partia em desvantagem para as partidas por ter os jogos transmitidos e publicados na Internet, desta vez, os dois clubes partem quase de forma idêntica.

Existindo um favorito, é o Recreio por ser de uma divisão superior e estar no topo dessa classificação. É estranho para o SC Beira-Mar mas é verdade.

Quem são os beiramarenses que mais admiras?

O meu Tio João, o Jorge Henriques, o Paulo Marques e o Artur Cruz.

Admiro mais pessoas mas estes são os principais.

Acreditas que um dia Aveiro vai ter um Beira-Mar mais pujante, mais apoiado e a disputar outra vez a I Liga?

Quem é que é beiramarense e não acredita, mesmo que seja lá no fundo do coração? O Beira-Mar não é só futebol, é muito do que o futebol representa, e existem outras modalidades coletivas que também anseio que disputem os escalões máximos nacionais. Mas para que isso aconteça são necessárias condições, tempo e trabalho. Muito de tudo!

Que opinião tens do DesportoAveiro?

Desde pequeno que sempre tive uma simpatia pelos clubes e atletas do Distrito de Aveiro e actualmente o DesportoAveiro reveste-se de grande importância nesse acompanhamento desportivo de todo o distrito. Vejo as notícias diariamente!

A missão do DesportoAveiro é interessantíssima. Nunca faltará motivo de publicação, o nosso distrito está repleto de atividade desportiva e de grandes atletas.  É um projeto que serve a prática desportiva do nosso distrito. É seguramente, uma das páginas da web, que sigo regularmente.