«O Oiã é um dos clubes grandes do distrital»

Miguel Ângelo, conhecido no futebol como «Levezinho», renovou pela AD Oiã. 

Habituado a jogar a extremo, está neste momento a ser «trabalhado» para alinhar a lateral. Nesta entrevista, o jogador bairradino recorda o seu percurso pelos escalões de formação, fala da sua experiência como atleta sénior e aborda assuntos relacionadas com a época que agora terminou e com a próxima temporada do seu clube.

NOME COMPLETO: Miguel Ângelo Pereira dos Santos
(No contexto do futebol é conhecido por ‘Levezinho’)

IDADE: 21 anos (12.07.1994)

LOCAL DE NASCIMENTO: Aveiro

POSIÇÔES: Extremo direito ou esquerdo, recentemente adaptado a lateral direito.

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Em que clubes fez a sua formação e que recordações guarda desses anos?

Comecei aos 9 anos no Oliveira do Bairro SC e depois fui para a Associação Desportiva de Nariz, clube que tinha feito grandes esforços para eu ser seu jogador. Por variadíssimos motivos, guardo com muito carinho as gentes desta Associação.
Depois, os meus pais acharam por bem eu não continuar no futebol, para focar a 100% na escola quando entrei no quinto ano. Não durou muito até o meu tio Nelo, pessoa que me acompanhou largos anos no futebol, convencer os meus pais de que deveria voltar. E assim aconteceu. Fui para a União Desportiva de Bustos, clube onde passei seis anos maravilhosos e que me permitiram ser o que sou hoje. Permitiu-me prestar testes no Futebol Clube do Porto, chegar às captações da Selecção de Aveiro, receber abordagens por parte do Sport Lisboa e Benfica, entre outros e chegar à Selecção de Oliveira do Bairro. Mais tarde, tomei a decisão de seguir outro rumo, o Oliveira do Bairro Sport Clube. Nesta altura, a mudança de clube na formação, implicava o pagamento de quantias absurdas e foi um processo duro para um miúdo.
Ainda tive uma passagem fugaz pelo Anadia Futebol Clube e terminei a formação de novo em Oliveira do Bairro.
A formação é o que te permite ser (ou não) alguém nesta modalidade e sinto que a minha foi bastante influenciada pela negativa pelo meu pai que nunca valorizou nem equacionou a profissionalização deste desporto. Prova disto é o facto de eu ter feito testes na Académica de Coimbra às suas escondidas. O meu caminho poderia ser o mesmo com outro tipo de apoio mas seria um caminho de consciência tranquila.

Já como sénior, que percurso fez?

Fui chamado a integrar a pré-época no Oliveira do Bairro no primeiro ano como sénior. Não correu da melhor forma e com o arrastar da pré-época perdi outros projectos para os quais tinha sido convidado. Acabei por assinar, já perto do início do campeonato pela Associação Desportiva de Paredes do Bairro onde permaneci durante os meus dois anos mais difíceis no futebol. Era um clube com imensas dificuldades, quer financeiros, quer desportivos, mas que mereceu a minha total dedicação e dos meus colegas.
Há um momento fulcral nestes dois anos que é a morte de um amigo e colega de equipa. Após a sua morte, deu-me um estímulo enorme para cada partida em que entrava. Encarava cada partida como se fosse a última e foi esta postura que levou a apostarem em mim para um clube histórico a nível distrital como é a Associação Desportiva de Oiã.
Sigo para o meu segundo ano de Oiã mas felizmente não têm faltado gente a querer acolher-me. É um motivo de orgulho e significa que estou a fazer as coisas bem.

Renovou pelo Oiã. Significa que está satisfeito no clube?

Sim, renovei. Ficámos em quinto lugar numa série dificílima mas isso não desculpa as nossas falhas. Temos de fazer mais e melhor.
Renovei com satisfação porque o Oiã é um dos grandes clubes das divisões distritais de Aveiro, tanto pelo seu historial, como pelas condições de trabalho que nos oferece. Este clube merece outros voos e alcançar a estabilidade noutra divisão que não esta.
Nem tudo é bonito no futebol e é natural que o Oiã tenha aspectos a aperfeiçoar para alcançar o sucesso. Sinto que está mais perto mas vai ser preciso o máximo de todos os intervenientes para atingir os objectivos. Friso que o futebol não é só uma hora e meia de futebol ao domingo à tarde, nem apenas jogadores e treinadores. Todos os intervenientes têm de estar em sintonia e aí estaremos bem mais perto do objectivo do clube.

Que balanço faz da época do Oiã este temporada?

Podíamos e devíamos ter feito melhor. Para os mais atentos, nós roubámos pontos a todos os adversários que ficaram acima de nós. Nem mesmo o campeão de série, o Beira-Mar, nos conseguiu vencer. Mas isto não vale muito quando deitamos tudo a perder contra equipas menos cotadas. É um sabor agridoce porque fizemos grandes resultados contra os candidatos ao título mas cedemos muitos pontos contra quem menos se esperava.
Sinto-me orgulhoso pelo que se fez mas, claramente, não melhor devido a diversos factores incontroláveis da nossa parte.

A Série B da 2ª distrital teve este ano muito maior visibilidade. Foi importante o facto do Beira-Mar fazer parte do campeonato?

Sim, é inegável mas há outros «culpados».
O Beira-Mar, dada a sua história, valorizou muito esta série e consequentemente a 2ª divisão mas não podemos esquecer todas as equipas que ajudaram a enaltecer este erguer do Beira-Mar e passo a citá-los: Mourisquense, Vista Alegre, Oiã, São Vicente Pereira e não deixo de parte o Fermentelos. Todas estas equipas têm grande valor e dificultaram ao máximo a vida ao Beira-Mar e que, em qualquer outra série, seguramente ocupariam os primeiros lugares. Nesta série, a luta foi bem mais dura mas só há um lugar para cada equipa e penso que, regra geral, fez-se justiça.
Os meus sinceros parabéns ao clube porque merece mais, mas isso, só se faz com muito sacrifício, sacrifício esse que foi visível com os populares a meterem as mãos à obra e tomarem a redia dos acontecimentos. Que continuem subindo e que façam jus à sua história!

O Oiã pode lutar pela subida no próximo ano?

Penso que sim. O Oiã pode ser um sério candidato à subida e este foi um dos grandes motivos que me levou a renovar.
Dá-me prazer andar entre os melhores e este clube dá-me essa oportunidade.
O quinto lugar deste ano é algo enganador tendo em conta o valor das equipas que referi acima. Basta rectificar algumas variações de postura e claramente vamos levar o Oiã até às decisões finais.

Qual a sua referência no futebol?

Cristiano Ronaldo, sem dúvida alguma. Acompanho o seu percurso à lupa e admiro-o pelo sacrifício, pelo trabalho e, acima de tudo, pela sua postura. Quer ser sempre o melhor. Ainda antes do Europeu de França, foi de férias para Ibiza e foi visto a correr! Não vejo muitos do nível dele a largar a praia para ir trabalhar no duro. Ele foi feito para ser o melhor e trabalha para isso, portanto, não há muito a acrescentar. Há aspectos em que não me agrada tanto, mas num computo geral, é único.
Neste momento passo por uma adaptação de extremo para lateral e isto fez com que começasse a observar mais outros jogadores com maior atenção. É o caso de Daniel Alves, jogador que está de saída do Barcelona. É o meu ídolo como lateral, dada a panóplia de recursos que oferece a uma equipa como a do Barça, quer defensiva, quer ofensivamente. É, para mim, um dos laterais mais completos que vi jogar.

O meu muito obrigado por esta oportunidade e votos de sucesso para este trabalho difícil que é fazer chegar informação dos clubes amadores e às suas gentes!