«Estamos a fazer um campeonato tranquilo»

Em entrevista exclusiva ao DesportoAveiro, Paulo Barros fala da carreira da sua equipa no presente campeonato distrital da 1ª divisão de iniciados. As novas condições do clube aveirense, o estado do futebol de formação na região de Aveiro e o seu futuro como treinador, são outros dos temas abordados.

Que balanço é que fazes da participação da AD Taboeira no campeonato da 1ª divisão distrital de iniciados?

Neste momento, tenho a certeza que podemos fazer um balanço positivo, pois o objectivo principal do clube  é a manutenção e prepararmos uma equipa muito competitiva para a próxima época, mas a nossa filosofia ser sempre lutar pelos três pontos em todos os campos, sem nunca esquecer o crescimento destes miúdos.

Estamos a fazer um campeonato tranquilo, mas penso que poderíamos ter mais quatro pontos, pois houve dois jogos em que deixámos fugir a vitória nos instantes finais. Mas isto faz parte do crescimento e da aprendizagem desta equipa, já que temos 50% de atletas de primeiro ano, o que em termos físicos, nestas idades, faz toda a diferença. Tenho um grupo espectacular, formado por atletas com uma força interior incansável, que nunca põem os interesses individuais acima do grupo, fazendo disso a nossa grande força.

 

Independentemente do que argumentas, não seria de esperar mais de uma equipa que no ano passado disputava o campeonato nacional da categoria?

Nao posso concordar! Dessa equipa de iniciados que jogava o Campeonato Nacional, não transitou ninguém para este ano e os que transitaram do ano passado do campeonato distrital perderam mais de 90% dos jogos desse mesmo campeonato. No entanto, quando fui convidado pelo clube, na pessoa do nosso coordenador, posso dizer que nem hesitei, pois era um bom desafio e porque queria fazer ver a algumas pessoas que este grupo não é tão fraco como diziam. Como disse anteriormente, grande parte deles perdeu 90% dos jogos e não é fácil dizer a um miúdo de 14 anos que isto agora ia ser diferente. Era preciso mentaliza-los para isso, foi isso fizemos e acho que o resultado está à vista de todos.

Era muito fácil dizer que a época passada foi mal planeada, mas não vou fazer, pois essas pessoas já não estão no clube, umas porque abraçaram outros projectos, outras porque simplesmente abandonaram a equipa no momento em que os miúdos mais precisaram deles. Gostava de deixar aqui um agradecimento a todos os que colaboram mais directamente com o nosso grupo no dia a dia, desde a minha  equipa técnica que tem sido incansável em contribuir para o crescimento dos miúdos, ao nosso coordenador, sempre a zelar para que nada nos falte, aos directores sempre prontos para a ajudar no que for preciso e aos pais que duma maneira, ou doutra, vão contribuindo dentro do possível para que presença ao treino seja sempre garantida.

 

A AD Taboeira inaugurou recentemente o seu complexo desportivo. Que importância pode ter para o futuro do clube?

Acho que poderá ter uma importância acrescida, pois são instalações espectaculares, que proporcionam boas condições aos nossos atletas, boas condições de treino, tanto ao nível do piso que é um espectáculo, como em termos da interacção entre todos os escalões, porque estamos todos juntos e isso para os mais novos é muito importante porque muitas vezes, para não dizer quase sempre, procuram nos mais velhos as suas referências. Uma palavra de apreço para o nosso presidente que, duma maneira ou de outra, conseguiu finalizar a obra quando muitos já não acreditavam.

 

Como é que achas que está o futebol de formação em Aveiro?

Acho que está muito bem, prova disso são os resultados que a Associação de Futebol de Aveiro tem conseguido, ano após ano, no torneio mais emblemático que temos no país para estas idades (Torneio Lopes da Silva), o que muito tem contribuído todos os treinadores da formação que temos na região, uns melhores, outros pior, mas todos nós contribuímos para o crescimento dos atletas. Gostava de dizer também que hoje na formação, há um fenómeno que, nós os treinadores, temos que estar bem preparados que são os pais, já que muitas vezes são eles os nossos grandes adversários, pois em vez de ajudarem o próprio filho, estão a prejudicar todo esse processo de aprendizagem que eles deviam ter e muitas vezes correm atrás de sonhos que lhes são vendidos.

 

Que plano traças para o teu futuro como treinador?

De momento estou a meio do curso de Nível 2, o futuro a Deus pertence. Posso dizer que estou muito contente onde estou, sinto carinho das pessoas, identifico-me muito com o clube e com as pessoas que nele trabalham dia a dia, mas, se algum dia tiver convites de outros lados, é sempre bom e reconfortante pois é sinal que o nosso trabalho foi bem feito.