«Vivi a conquista da Taça de Portugal como se tratasse de uma “queca” dada à Pamela Anderson!»
Pedro Nuno, adepto do SC Beira-Mar, em entrevista ao DesportoAveiro. Leitura obrigatória porque nunca mais vamos ter uma entrevista assim…
Oh pá, o primeiro jogo que assisti remonta ao ano de 1993, um tal Beira-Mar-SC Braga, numa época em que me preocupava mais em coleccionar bonecos das tartarugas Ninja e autocolantes de campanha do Cavaco Silva do que propriamente com futebol. Já agora, o jogo acabou empatado a zero e o FC Porto, meses mais tarde, sagrou-se campeão no «Mário Duarte» com um golo do Timofte, um dos primeiros romenos legalizados em Portugal.
Não. Gostava mais que fosse em português. Eu, o Fernando Pessoa, o Almada Negreiros, o Garrett e o duque de Bragança.
Estiveste presente no Jamor nas duas finais da Taça de Portugal que o SC Beira-Mar disputou?
Achas mesmo que estive em 1991? Em 1991 procurava ainda fazer acreditar à minha avó que o muro de Berlim tinha mesmo ido abaixo e que a pinta na cabeça do Gorbatchev não era uma tatuagem. Tudo em vão. Ainda hoje pensa que o mundo está dividido em dois blocos e que o Churchill é o alter-ego do bispo de Aveiro.
Tenho a preocupação em saber os resultados e de combinar com o Cílio Souza a melhor hora para aparecer lá em casa para jantar (o puto dele vai ser grande jogador). Vou aos jogos de vez em quando, se o nível alcoólico da noite anterior, nivelado pela Cláudia Souza, esposa do Cílio, estiver equilibrado e se me garantirem que os Nunos, da secção de boxe da nossa quase centenária instituição, não estejam presentes nas bancadas, a bem da minha integridade física.
De há uns anos a esta parte que defendia que o SC Beira-Mar devia começar do zero e não arrastar-se. Não é vergonha nenhuma: aconteceu ao Salgueiros e ao Farense, por exemplo. Mas também referi que o objectivo seria voltar rapidamente ao patamar que a «História» nos reservou: a Primeira Liga. Julgo ser importante aprender com os erros e que um eventual investidor seja da terra, tipo o Nelson Pires, do bar Galeão, ou mesmo o Ribau Esteves, o antigo presidente da Câmara Municipal de Ílhavo. Mas sim, tenho saudades daqueles «picanços» com os meus caros amigos de Coimbra, onde cursei História, em semana de jogo com a Académica. Também há o contra: nos estádios das ligas profissionais a cerveja é sem álcool, o que, manifestamente, vê o número de membros dos Ultras Auri-Negros, que fundei em 2000 com meia-dúzia de amigos, entre os quais o Nuno Quintaneiro, decrescer de forma bem substancial.
Tenho o Duarte Gomes, o Paulo Garcia, alguns ex-jogadores, nomeadamente do Beira-Mar, e, mais recentemente, o Fernando Aguiar, numa altura em que andava a ser ameaçado por um vizinho. Mal adicionei o Fernando Aguiar, as ameaças passaram a elogios. Também tenho muitas amigas morenas, loiras, de olhos claros ou menos claros, com um peito que me permite intuir que adoram acompanhar futebol, desde a Liga Inglesa até aos campeonatos amadores das Ilhas Caimão.
Não me queres fazer antes uma questão sobre o processo Marquês ou sobre campos de concentração da Alemanha Nazi? É que não quero pegar em temas sensíveis como aquele a que te referiste.
É um trabalho que reflecte o teu (Pedro Neves) trabalho. Sempre foste polémico e isso dá um gosto especial à leitura do que escreves. Não me revejo em muita coisa do que tu dizes ou rediges, mas aí digo-te como Voltaire dizia: “Não concordo com nada do que tu dizes mas bater-me-ei com todas as minhas forças para que o possas dizer em liberdade”. É apenas isto. Colocar, nomeadamente em Aveiro, uma certa dose de “magia” naquilo que dizemos ou escrevemos é um risco elevado que sou obrigado a pagar de vez em quando. Quase tão elevado como colocar um “like” numa fotografia de uma das amigas da nossa namorada, no Instagram.


