«O Clube dos Galitos dá-me todas as condições»

Sofia Pinho e Melo. Já é uma vida de basquetebol. Como atleta e como treinadora. 

Entrevista exclusiva Desporto Aveiro.

Como e quando entraste no basquetebol?

Comecei a jogar basquetebol em 1978 nos minis do Beira-Mar. Era a única rapariga. Na altura não havia muitas miúdas a querer praticar desporto, nem havia a oferta que há hoje. Eu jogava no bairro da Gulbenkian com os meus amigos e foram eles que disseram que devia ir treinar com eles. E fui.

Fala-nos da tua carreira como atleta.

Comecei no Beira-Mar como já disse, ainda mini, onde estive dois anos. Depois, como não havia atletas femininas, tive de deixar de jogar e voltei anos mais tarde, através da minha professora do desporto escolar. Fui para o Esgueira em 1982, onde fiz toda a minha formação, tendo participado praticamente em todas as fases finais distritais e tendo atingido, em sub-19, a fase final nacional. Em 1989/90, já no escalão sénior, fui campeã nacional de 2 ª divisão ao serviço do Illiabum e nos 6 anos seguintes joguei um ano no Illiabum e cinco no Anadia na primeira divisão feminina, atual liga.

Como é que decidiste ser treinadora?

Em 1996 tive uma lesão grave no joelho que levou ao meu afastamento da competição, o que fez com que enveredasse pela carreira de treinadora. A minha paixão por este desporto fez com que não me conseguisse separar da modalidade. Durante quatro anos orientei equipas femininas do Gafanha e colaborei como treinadora adjunta da selecção distrital de Aveiro de sub-16, tendo subido à divisão principal.

Em 2000 fiz um interregno na carreira de treinadora para me dedicar à tarefa mais importante da minha vida: ser mãe. Em 2006/2007 fui convidada para ingressar no Galitos e treinei durante um ano o minibasquete. Voltei novamente a ter uma paragem como treinadora e voltei ao Galitos novamente em 2010/2011 para trabalhar no «minigalitos» e depois nos sub-13. Nas últimas sete temporadas tenho sido responsável pelas sub-14 femininas, trabalho esse que me permitiu presença assídua nas fases finais distritais, tendo sido campeã em 2015/2016.

Na época de 2016/2017 e 2017/2018 colaborei ainda na coordenação dos «minigalitos» e fui treinadora adjunta das seniores femininas.

Nos últimos dois anos tenho colaborado com a Federação Portuguesa de Basquetebol nos «campus» de aperfeiçoamento e observação de sub13.

Qual a razão para estares há muitos anos no Galitos?

Até ao momento, o clube dos Galitos tem-me dado todas as condições para eu poder exercer a minha atividade de treinadora. Dá-me o que acho necessário e importante para que seja possível realizar um bom trabalho. Mesmo com altos e baixos, com momentos bons e momentos não tão bons, o clube tem sabido ultrapassar todos os obstáculos que vão aparecendo procurando boas condições de treino quer para treinadores quer para atletas.

O Clube dos Galitos é um clube de formação, sendo o seu principal objetivo a formação de atletas, dotando-os de capacidades técnico/táticas, cognitivas e motoras que lhes permitam atingir elevados patamares de desempenho no futuro. A formação do jovem atleta passa essencialmente pela capacidade de potenciar as características individuais dos jogadores ao longo do seu processo de crescimento e maturação, bem como o aperfeiçoamento do conhecimento dos fundamentos técnico/táticos do basquetebol. Desta forma, pretende-se preparar os jogadores para a obtenção de elevadas prestações, no auge da sua carreira desportiva.

Esta é a base da formação e é um dos principais factores que me motivam a que ano após ano eu queira continuara a treinar e no Galitos.

Penso que, não só eu como o clube, temos verificado que a parceria tem dado resultados, conseguimos ainda este ano que uma atleta formada no clube fosse internacional, o que nos dá uma satisfação enorme e um pouco do reconhecimento de que temos feito um bom trabalhado.

Enquanto o clube me der condições e quiser a minha colaboração estarei sempre disponível.

Qual o objectivo para esta temporada?

Quem treina sub-14 tem de ter sempre em mente que estamos a formar, a ensinar, a procurar que todas evoluam. Um treinador de sub-14 tem de conseguir motivar um grupo, fazê-lo crescer enquanto atletas e enquanto jovens. O objectivo principal deve ser ensinar o jogo. É o primeiro escalão com competição a sério, é a transição de minis e de regras diferentes para a verdadeira competição. Se no fim de todo este processo de crescimento verificarmos que foram apreendidos os requisitos mínimos básicos fundamentais para que as atletas tenham argumento técnicos capazes de ultrapassar os obstáculos e se formos a equipa mais regular e com melhores resultados, então perfeito. Interessa-nos sempre estar nas alturas das decisões e se nessas alturas formos mais competentes que as outras equipas, perfeito. Vamos procurar evoluir, crescer, os nossos objectivos são sempre por fases. Primeiro – estar a competir entre as melhores equipas, segundo – poder ir a fase final distrital, terceiro – sermos a equipa organizadora da fase distrital, quarto – irmos à final e se formos suficientemente competentes sermos campeãs distritais, e quinto – conseguir o acesso ao campeonato nacional. Por fim, o céu é o limite.

Gostas de outros desportos? Quais?

Gosto muito de futebol mesmo, e gosto muito de futebol americano, principalmente da final, acho que é um espetáculo.