«Em primeiro lugar está o Beira-Mar»

Octávio Vieira, sócio do SC Beira-Mar, fala-nos da sua paixão pelo clube e pelo trabalho de pesquisa que tem vindo a realizar sobre a «vida» do emblema aveirense.

Como é que te tornaste adepto do Beira-Mar?
Foi graças ao meu pai. Apesar de ele agora já não ligar grande coisa ao futebol, tanto que já nem vai ao estádio, continua a ser sócio pagante. No entanto, durante muitos anos ia ver os jogos em casa (e segundo já me contou, também ia ver alguns fora quando era jovem, em excursões). Um dia, lembrou-se de me levar também e algum tempo depois fez-me sócio e passei a ir com ele. E sempre me disse que, independentemente de simpatizarmos com qualquer outro clube dito grande, em primeiro lugar está o Beira-Mar. Concordo inteiramente.

Lembraste do primeiro jogo que viste ao vivo do Beira-Mar?
Por acaso já «falei» desse jogo no Facebook, quando passaram 30 anos sobre isso. Foi o Beira-Mar – Estrela de Portalegre, da extinta 2ª Divisão Zona Centro, em Dezembro de 1985, ano em que comecei a acompanhar o futebol com regularidade, pois antes disso as minhas memórias eram apenas de alguns jogos do Mundial 82 e do Euro 84. Tive a sorte de se tratar de um jogo emocionante e talvez por isso tenha ficado com vontade de repetir a experiência. Agora que já pesquisei sobre essa época, posso dizer que o Beira-Mar começou a perder logo aos 11 minutos, empatou ainda na primeira parte e consumou a reviravolta aos 75, para o Estrela empatar aos 82. E quando se pensava que ia ficar assim, o nosso clube conseguiu a vitória já nos descontos. O jogador em destaque nesse jogo foi um avançado chamado Nogueira, que marcou os dois últimos golos. Para além dele, jogaram também, entre outros, Redondo e Jorge Silvério, dois jogadores marcantes na nossa história, e que curiosamente foram expulsos, ambos por acumulação de amarelos. Teriam outros dias bem mais gloriosos ao serviço dos auri-negros.

Sabemos que estás a fazer um trabalho de pesquisa e de estatísticas sobre o futebol do clube. Queres contar um pouco do trabalho que estás a realizar?
Como deves saber, há alguns anos foram editados almanaques dos chamados «três grandes de Portugal», pelo que a sua história está muito bem documentada. No caso do Beira-Mar, não existe nada disso e a maioria (quase totalidade) dos adeptos nem faz ideia da história grandiosa do nosso clube, que além de um clube, é também um símbolo da nossa cidade. Sendo assim, e para colmatar essa lacuna, o que eu estou a fazer é recolher, sobretudo em jornais, informação sobre resultados e fichas de jogos (sempre que possível) desde a fundação do nosso clube. E eu próprio, que só comecei a acompanhar nos anos 80, como já disse, também descobri muita coisa interessante, que a seu tempo ficará disponível para os que quiserem saber a história do maior clube do nosso distrito, um dos maiores do nosso país. Sem entrar em pormenores, posso adiantar que já recolhi muito mais do que pensava ser possível quando comecei, e ainda não terminei. Apesar de haver menos fontes do que relativamente a Benfica, Porto ou Sporting, penso que me posso dar por satisfeito. E os verdadeiros beiramarenses também.

Há quanto tempo começaste este trabalho de pesquisa?
Tudo começou há perto de 10 anos. Uns anos antes, conheci um dos fundadores do site www.foradejogo.net, que é um dos sites de referência do futebol português, para mim ainda melhor do que o famoso zerozero, porque inclui fichas de jogos desde a 1ª divisão até aos «distritais», incluindo Taça de Portugal, que resultam de pesquisas em jornais. Mais ou menos na mesma altura, descobri que no site da Biblioteca Municipal de Aveiro podemos consultar um grande arquivo de jornais e outras publicações de vários municípios do nosso distrito, pelo que podia encontrar muita informação a partir de casa. Sendo assim, decidi recolher a informação disponível, sobretudo em jornais como o Litoral, o Correio do Vouga e o Diário de Aveiro. Daí para cá, fui procurando conforme a minha disponibilidade, e depois também acabei por ir às bibliotecas municipais de Porto e Coimbra, para procurar o que não encontrei nos jornais de Aveiro.

O que é que pretendes com este teu trabalho?
Em primeiro lugar, a minha ideia era ficar a conhecer, tanto quanto possível, a história do nosso clube, os seus resultados, as suas grandes figuras e por onde tinha passado antes de estabilizar nas duas divisões maiores do nosso futebol. Isso levou-me também a ficar a perceber como estava organizado o nosso futebol, que tinha uma organização bem diferente da actual, pois inicialmente só havia campeonatos distritais e uma competição a eliminar chamada Campeonato de Portugal. Só mais tarde surgiram os campeonatos nacionais e com um funcionamento bem diferente do actual. Como acabei por conseguir informação sobre todas as épocas da «vida» do nosso clube (ainda que nos anos mais antigos faltem vários dados, pois nem a própria AFA os tem) pensei que podia ser um pouco mais ambicioso e fazer algo semelhante a esses almanaques dos «grandes» que já referi, tentando também incluir algo mais do que dados estatísticos, como algumas entrevistas a figuras importantes e também algumas fotos que consegui recolher e que ainda estou a tentar legendar devidamente, sobretudo no caso das mais antigas. E pensei que esse almanaque poderia ser uma forma de comemorar o centenário do nosso clube que está a aproximar-se rapidamente.

Já deste a conhecer à Direção o que estás a fazer?
Sim, já falei com alguns elementos da Direção. Gostaram da ideia e incentivaram-me a continuar, pelo que este meu trabalho não será certamente apenas para consumo próprio. Ainda que, se fosse, eu fá-lo-ia na mesma, pois a minha ideia inicial foi essa. No entanto, encontrei tanta informação que achei que ela merecia ser partilhada com todos os que gostam do clube e sei que há muitos, pois somos um grande clube.

Falando do clube atual, como vês a prestação da equipa na atual Divisao de Elite da AFA?
Tendo em conta que, a dez jornadas do fim, estamos em primeiro com 10 pontos de avanço sobre o segundo e 16 sobre os três terceiros, diria que só uma catástrofe nos impedirá de subir. Tal como o ano passado, a Direcção conseguiu formar um plantel de qualidade.