«Estava cansado de remar sozinho»

«Estava cansado de remar sozinho»

2 Agosto, 2019 Não Por desportoaveiro

João Paulo Ramos, ex. presidente do GD Gafanha, deu ao DesportoAveiro a primeira grande entrevista desde que deixou o comando do clube.

A primeira pergunta que nos apraz fazer é: porque razão não continuou à frente do GD Gafanha?

Bom, acima de tudo não continuei porque já já não tinha apoio de quem tinha estado comigo, mas também por estar cansado de «remar» sozinho.

Consigo como presidente, o clube chegou a andar bem classificado no Campeonato de Portugal, causou sensação na Taça de Portugal, mas tudo acabou por não ter continuidade. Porquê?

Sim, é verdade mas a não continuidade deve-se a muita coisa, à falta de apoio e o futebol sénior precisa de apoios e não apenas a apoios financeiros. A oposição começava logo dentro do próprio clube, era notório em algumas pessoas e a prova é que eu saí e equipa desceu de divisão porque os problemas são os mesmos e ninguém injecta dinheiro para os seniores.

Como é que foi a sua relação com as modalidades? Chegou a dizer-se que as modalidades terminaram a relação que tinham consigo porque entraram em conflito consigo. Confirma?

Não entrei em litígio com ninguém, simplesmente não lhe dei patrocínio, porque estava com o encargo dos seniores, e eles não viram isso com bons olhos. Depois foi o que se viu…

Hoje, há pessoas próximas do clube que dizem que o Paulo Ramos deixou um clube em grandes dificuldades financeiras e que nem sequer se sabe se existem condições para ter uma equipa senior de futebol. Como reage a estas criticas?

Sim, eu sei que há pessoas que, para limparem e ostentarem a suas posições e imagem, dizem que fui eu o responsável mas quando eu saí, a Direção era credora do futsal e da formação e fui eu que paguei os treze mil euros na AFA. E ninguém quis ajudar o clube, nem mesmo os que apoiaram a minha saída. Inclusive, tive toda a primeira parte da época sem receber apoios mas os resultados falaram por si.

PRECIPITADO NA DISPENSA DO TÉCNICO

Ainda em termos futebolisticos, já terá dito que o seu grande erro foi ter dispensado o treinador Nuno Pedro. Confirma?

Sim, é verdade. Fui precipitado, já tive o tempo suficiente para analisar mas o maior erro foi em duas situações ter dado ouvidos a outras pessoas e não seguir o meu pensamento.

Que análise faz ao trabalho que a actual Direção está a realizar?

Não vou comentar. Não vou ser eu a arranjar confusão mas acho que estão a fazer tudo para melhorar o clube.

Tem contactos com o presidente actual?

Sim, mas só quando ele precisa de alguma informação. Não houve reunião de passagem de informação sobre o clube porque não houve tempo para isso, nem houve vontade, mas sim, tenho sido sempre prestável quando solicitado.

Acredita que o clube pode reerguer-se?

Sinceramente, acho que não. As pessoas que lá estão são a continuidade do passado e não vão conseguir porque é preciso arrojo e porque não têm o apoio das instituições locais para isso.

Também se diz que tem milhares de euros a receber do clube….

Sempre disse que eu não serei problema mas tem que haver outra postura. Não é fazer acordos e e depois apropriarem-se do dinheiro e não cumprirem. Os valores finais só se saberão quando houver relatório de contas deste ano.

A SAD não se chegou a concretizar. Porquê? Continua a achar fundamental para o futuro do clube?

Sim, a SAD não foi ainda activada porque os actuais accionistas não querem continuar com este projecto. Mas sim, continuo achar que há falta de apoio nos seniores e que só com uma SAD pode haver um projecto forte.

Hoje, passados largos meses, não acha que poderá ter sido ambicioso demais quando chegou a afirmar que o objectivo do Gafanha era chegar à I Liga?

Claro que sim. Depois de ver a realidade e sentir que não era de todo o que a instituições e seus representantes queriam, sim, acho que sim.

Equaciona um dia voltar a ser dirigente desportivo?

Não sei, mas neste momento não tenho qualquer vontade de voltar, mas se aparecer um projecto com outro tipo de pessoas e com garantia de lutar por esse mesmo projecto vitorioso, pode acontecer o contrário.

Quer deixar alguma mensagem final aos adeptos ou a alguém em particular?

Em jeito final, dizer que foi um prazer levar tanta alegria aos adeptos do GD Gafanha no tempo em que lá estive e dizer que o tempo repõe a verdade que as pessoas não querem. Um enorme obrigado a todos que estiverem comigo até ao final. Ficaram para sempre as belas amizades e um enorme obrigado ao Nuno Pedro por ter sido sempre leal às suas ideias e a todos os atletas e treinadores que estiveram comigo. Tudo de bom na vida para eles. Sempre GD Gafanha e juntos venceremos!